Redescobrindo a Eletrônica

Seja bem-vindo ao meu espaço dedicado à eletrônica prática — aquele tipo de eletrônica que a gente aprende com as mãos, com o cheiro do ferro de solda e o brilho de um LED aceso. Este blog nasce com o desejo de reviver uma época de ouro da divulgação científica e tecnológica: os tempos das revistas como Divirta-se com a Eletrônica, Be-a-Bá da Eletrônica, Aprendendo e Praticando Eletrônica e ABC da Eletrônica.

Um mergulho nas revistas clássicas

Essas publicações, que fizeram a cabeça de muitos jovens e adultos entre as décadas de 1980 e 1990, traziam circuitos simples, explicações claras e o principal: despertavam a curiosidade. Elas ensinaram gerações a identificar resistores, montar os primeiros amplificadores e, claro, a piscar os primeiros LEDs — pequenos milagres luminosos que até hoje encantam quem começa na eletrônica.

Aqui neste blog, quero dar vida nova a esses circuitos, reapresentando-os com uma abordagem prática e acessível, mas sem perder o charme e a didática original que tanto marcaram época.

Montagens em protoboard: reaproveitamento e praticidade

Todas as montagens serão realizadas em protoboard, aquela base de montagem que permite construir e testar circuitos sem solda. A escolha pelo protoboard se deve a dois motivos: a facilidade de montar e desmontar (ideal para quem está aprendendo) e o reaproveitamento dos componentes, algo que considero fundamental em tempos que pedem consumo consciente e valorização do que temos em mãos.

Cada montagem será registrada com imagens do circuito na protoboard, passo a passo, além do esquema original extraído das revistas (quando possível) e uma explicação do seu funcionamento — sempre respeitando o estilo claro e direto das publicações antigas, mas com os recursos que temos hoje.

Leds: pequenos astros do nosso show

Como gosto pessoal — e porque eles são mesmo fascinantes —, darei prioridade aos circuitos com LEDs. Seja um pisca-pisca simples, um jogo de luzes ou um indicador de tensão, os LEDs serão nossos protagonistas em muitos dos projetos. Afinal, não há nada mais gratificante do que ver a luz acender e saber que você fez isso acontecer com alguns fios e componentes simples.

Para quem é este blog?

Este blog é para:

  • Quem teve contato com essas revistas no passado e quer matar a saudade;
  • Quem está começando agora e quer aprender eletrônica com projetos simples e testados;
  • Professores que buscam ideias práticas para sala de aula;
  • E todos aqueles que, como eu, acreditam que a eletrônica tem muito a ensinar — não só sobre circuitos, mas também sobre paciência, investigação e criatividade.

O que vem por aí?

Nos próximos posts, vamos colocar a mão na massa com circuitos tirados diretamente das revistas. Cada montagem será detalhada com:

  • Nome do projeto original
  • Lista de materiais
  • Esquema do circuito
  • Fotos da montagem no protoboard
  • Explicação do funcionamento
  • Sugestões de variações ou melhorias

Então prepare sua protoboard, separe os resistores e LEDs da gaveta e venha comigo nesta jornada entre passado e presente, onde cada montagem é uma aula viva de eletrônica.

Vamos reviver o brilho da eletrônica clássica — um LED por vez.

A Eletrônica na minha vida.

Minha relação com a eletrônica começou muito cedo, eu tinha quase 14 anos - mais precisamente em abril de 1983. Eu recebi um dinheiro do meu pai para ir na banca de jornal para comprar alguma revista que quisesse (na época bancas de jornais eram recheadas de revistas dos mais diferentes tipos e dos mais diferentes valores). Eu buscava algo interessante e acabei encontrando uma revistinha chamada Divirta-se com a Eletrônica. Era o número 24, lembro perfeitamente por conta da capa. Foi o que me chamou mais atenção.

Capa da revista DCE n° 24 (com a plaquinha)

Nela encontrei um projeto chamado Luz Fantasma. Achei a revista interessante porque vinha com uma plaquinha de circuito e acabei comprando. Chegando em casa, aquela revista, aquele material, acabou me encantando. Depois de alguns meses, eu decidi que na sequência dos meus estudos, iria fazer um curso de Técnico em Eletrônica. 
Nessa época (final dos anos 1980...), todo mundo que fazia técnico em eletrônica tinha muito interesse em trabalhar com oficina de reparos, mais precisamente conserto de rádios e TVs. Desde o início esse não foi meu objetivo principal, eu queria mesmo era montar coisas, consertar coisas, mas não necessariamente rádio e TV.
Assim, em 1984 eu comecei meu curso técnico em eletrônica. Em 1986, três anos depois, eu havia concluído o curso e já estava habilitado para trabalhar como técnico. Em 1985 consegui um emprego numa oficina de consertos de equipamentos de escritório e lá podia praticar um pouco daquilo que estava aprendendo na escola: testar componentes, soldar e dessoldar.
Mas não tínhamos uma literatura tão farta quanto temos hoje. O que acabávamos aprendendo era basicamente em livros, revistas e também em conversas com outros técnicos. Eu continuei a comprar a revista Divirta-se com a Eletrônica. 
Ao longo da minha vida profissional, lembro de ter comprado vários e vários exemplares, não só dessa revista, mas também da Bê-á-bá da Eletrônica. Eram duas revistas do Professor Bêda Marques. 
As revistas tinham uma linguagem muito fácil de acompanhar, seu texto informal fazia com que a leitura fosse atraente e sempre acabava despertando o interesse pelas construções. Essas revistas traziam em todas as suas edições projetos fáceis de serem montados, mas na época eu não tinha muito recurso financeiro para comprar os componentes. 
Lembro que quase um ano depois de ter comprado a revista 24 foi que eu comprei o kit com as peças para montar a Luz Fantasma. Tínhamos que comprar pelo correio e eu não podia comprar em meu nome, pois era menor de idade. Acabei fazendo isso em nome da minha mãe porque ela é que ia retirar o material.

Tabela de preços da época (abr/1983)

Depois de montado, o projeto funcionou muito bem: era um uma luz que fica piscando e era uma montagem bem simples, mas muito interessante. Ao longo dos anos fui comprando outros kits, mas não com a frequência que eu gostaria. Nossa vida caminha para outros projetos e acabamos mudando um pouco daquilo que a gente pensa quando somos mais jovens.
Hoje com 54 anos de idade eu quero retomar esses projetos. No momento trabalho como Professor de Matemática e Física para o Ensino Médio e Técnico, e isso me motiva a escrever esse material. Precisamos tornar nossas aulas mais dinâmicas e interessantes. Também precisamos estimular nos alunos o desejo de trabalhar por projetos e mostrar a eles que estudar com ciência é muito interessante.
Vou refazer muitos projetos e publicar neste espaço, compartilhando com quem tenha interesse ou com quem gosta da eletrônica prática. Nos moldes da antiga revista.
Mas isso, vamos desenvolvendo ao longo do tempo.
Forte abraço a todos(as)!